quinta-feira, 26 de março de 2015

Os últimos minutos do Airbus da Germanwings

Gritos de terror são ouvidos no momento anterior à colisão contra a montanha


PUBLICADO EM 26/03/15 - 16h27
O voo 4U9525 da companhia aérea Germanwings começou como qualquer outro, com conversas habituais entre os dois pilotos, mas, após a saída do comandante da cabine, terminou em tragédia, por uma ação inesperada e inexplicável do jovem copiloto.
O promotor francês Brice Rodin, a cargo da investigação judicial na França, contou nesta quinta-feira o ocorrido, baseando-se na gravação dos sons da cabine da caixa-preta do avião, que caiu na terça-feira nos Alpes franceses quando realizava o trajeto entre Barcelona e Dusseldorf.
"Nos primeiros 20 minutos do voo, os dois pilotos (o comandante e o copiloto) conversaram de maneira completamente normal, e inclusive cortês e jovial, como dois pilotos durante um voo".
"Não acontece nada anormal", contou Robin nesta quinta-feira em referência a estes momentos, sempre a partir da gravação da caixa-preta que registrou as conversas na cabine de pilotagem.
Nesse período, o avião alcançou normalmente sua altitude e sua velocidade de cruzeiro. Um último contato foi mantido com os controladores de tráfego aéreo no momento em que o avião entrava no espaço aéreo francês.
Na gravação, "ouve-se o comandante preparando o pouso em Dusseldorf. As respostas do copiloto parecem lacônicas".
O copiloto é Andreas Lubitz, de 28 anos e nacionalidade alemã.
Sozinho na cabine
"Depois ouve-se o comandante a bordo pedir que o copiloto assuma o comando, o ruído do assento que retrocede e da porta que se fecha".
"Podemos pensar legitimamente que se ausentou para atender a uma necessidade natural. Neste momento, o copiloto fica sozinho, manipula os botões de 'flight monitoring system' para acionar a descida da aeronave".
Assim como a justiça francesa, os diretores das Germanwings e da Lufthansa, sua casa matriz, apontaram o copiloto como origem da catástrofe. Ele bloqueou a porta da cabine, segundo fontes alemãs.
No avião, "a ação sobre o selecionador de altitude só pode ser voluntária", disse o promotor francês.
Na gravação da caixa-preta, "ouvem-se vários chamados do comandante pedindo o acesso à cabine" por intermédio do interfone com visor. "Se identificou, mas não há nenhuma resposta do copiloto. Bateu depois na porta, sempre sem receber resposta. No momento ouve-se um ruído de respiração humana dentro da cabine. Este ruído dura até o impacto final, o que quer dizer que o copiloto estava vivo".
Quando os controladores de tráfego aéreo se deram conta de que o Airbus A320 mudava de altitude e iniciava uma descida sem modificar sua trajetória retilínea, a torre de controle de Marselha (sul da França) tentou contactá-lo várias vezes. Pediu que o avião fizesse o código de emergência, o 7700, mas não receberam nenhuma resposta do copiloto, prosseguiu o promotor.
Gritos de terror
Ao se aproximar do solo, soaram os alarmes, perfeitamente audíveis na gravação. "Nesse momento ouvem-se golpes lançados violentamente para tentar derrubar a porta", mas "é uma porta blindada, em conformidade com as regras internacionais", acrescentou Robin.
"Pouco antes do impacto final, ouve-se o que pode ser provavelmente o ruído de uma primeira colisão contra um declive. O avião deslizou provavelmente por uma encosta antes de se chocar, a 700 km/h, contra a montanha. Nenhuma mensagem de socorro ou de emergência foi recebida pelos controladores de tráfego aéreo. Nenhuma resposta foi dada as suas numerosas mensagens".
Segundo o promotor, apenas alguns segundos antes do impacto os passageiros perceberam que iam se acidentar. E seus gritos de terror são ouvidos no momento anterior à colisão contra a montanha.
Para a justiça francesa, "a interpretação mais verossímil é que o copiloto, voluntariamente, recusou-se a abrir a porta da cabine ao comandante" e "acionou o botão de perda de altitude por uma razão que ignoramos totalmente, mas que pode ser analisada como uma vontade de destruir o avião"

Foi intenção do copiloto destruir o avião, diz procurador francês

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook
    O alemão Andreas Lubitz, 28, era o copiloto do voo 4u9525, da Germanwings O alemão Andreas Lubitz, 28, era o copiloto do voo 4u9525, da Germanwings
O procurador de Justiça de Marselha (França), Brice Robin, disse em entrevista coletiva nesta quinta-feira (26) que o copiloto do avião da Germanwings que caiu nos Alpes franceses há dois dias "deliberadamente fez a aeronave perder altitude", o que levou à queda.
O copiloto foi identificado como o alemão Andreas Lubitz, 28. A procuradoria francesa abriu uma investigação por "homicídio voluntário".
O avião caiu, em poucos minutos, de 10 mil ou 12mil metros de altura para algo como 2.000 metros, quando bateu nas montanhas.
As gravações de uma das caixas-pretas do voo revelaram que em determinado momento do voo o piloto deixou o cockpit do avião para ir ao banheiro. Naquele momento, o co-piloto, de nacionalidade alemã, ficou trancado sozinho na cabine de comando
Ele então alterou o sistema de orientação do avião para iniciar a descida. O piloto bateu na porta da cabine para voltar, mas o co-piloto permaneceu em silêncio durante os 10 minutos da descida.
"Eu penso que voluntariamente ele se recusou a abrir a porta e apertou o botão para o avião descer", disse Robin.
De acordo com o procurador, o copiloto acionou a descida do avião "por uma razão que nós ignoramos totalmente, mas que pode ser analisada como uma vontade de destruir este avião".
"Não havia razão para isso [derrubar a altitude do avião] nem para impedir o piloto de entrar [na cabine]. Ele não respondeu à torre de controle que falava sobre a queda de altitude", afirmou o procurador.
"Não estou usando a palavra suicídio porque eu não sei, mas ele deliberadamente provocou a queda de altitude", afirma Robin. "Quando você está responsável pelas vidas de 150 pessoas, você não chama isso de suicídio, por isso não usei esta palavra."
"Mas isso não foi um acidente. Poderíamos dizer homicídio intencional", acrescentou. Mas, "não há nada que sugira um ataque terrorista".
Segundo a Lufhansa, o copiloto havia sido contratado em setembro de 2013 e tinha 630 horas de voo de experiência.

Momentos finais

Segundo o procurador, a respiração de Lubitz estava "normal" até momento do impacto.
Pode-se ouvir a porta ser esmurrada e os alarmes soando, acrescentou, e grito dos passageiros nos segundos finais.
"A morte foi instantânea", disse o procurador, lembrando que o avião voava a 700 km/h quando atingiu as montanhas. (Com agências internacionais)
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Avião da Germanwings cai no sul da França com ao menos 150 pessoas a bordo74 fotos

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25.mar.2015 - Funcionários da companhia aérea alemã Germanwings se abraçam em frente à sede da empresa em Colônia, na Alemanha, em homenagem às vítimas do voo que caiu nos Alpes franceses. A Germanwings, que operava o Airbus A320 acidentado com 150 pessoas a bordo, é uma subsidiária da Lufthansa Leia mais Marius Becker Germany/AFP

quarta-feira, 25 de março de 2015

Piloto da Germanwings foi trancado fora da cabine antes de acidente, diz NYT

Do UOL, em São Paulo

  • F.Balsamo / Ministério do Interior da França
    Operação da equipe de resgate em busca de destroços do avião da Germanwings Operação da equipe de resgate em busca de destroços do avião da Germanwings
Enquanto as autoridades passaram esta quarta-feira (25) tentando explicar como o avião da Germanwings com 150 pessoas a bordo caiu com céu limpo, um investigador disse ao jornal "The New York Times" ter evidência de que uma gravação feita indica que um dos pilotos deixou a cabine antes do acidente e não conseguiu entrar de volta.
Um alto funcionário militar envolvido na investigação descreveu como "muito boa, muito legal" uma conversa entre os pilotos durante a primeira parte do voo de Barcelona para Düsseldorf. Em seguida, o áudio indica que um dos pilotos deixou a cabine e não poderia voltar a entrar.
"O cara do lado de fora está batendo de leve na porta e não há nenhuma resposta", disse o investigador. "E então ele bate na porta mais forte e não houve resposta. Nunca há uma resposta. Você pode ouvir que ele está tentando esmagar a porta para baixo", disse o investigador.
Enquanto o áudio parecia dar alguma pista sobre as circunstâncias que levaram ao acidente, ele também deixou muitas perguntas sem resposta.
"Nós não sabemos ainda a razão pela qual um dos caras saiu", disse o funcionário, que pediu anonimato porque a investigação continua. "Mas o que é certo é que no final do voo, o outro piloto está sozinho e não quer abrir a porta."
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Conheça alguns dos passageiros que estavam no avião da Germanwings19 fotos

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O britânico Paul Andrew Bramley, 28, em foto divulgada pela família; Bramley estudava administração hoteleira no Ceasar Ritz College, na Suíça, e estava em férias em Barcelona. Ele havia acabado de terminar seu primeiro ano de estudos e descansava na Espanha com alguns amigos, antes de retornar ao Reino Unido para se encontrar com a família. "Paul era um filho gentil, cuidadoso e amoroso", disse a mãe do estudante, Carol. "Ele era o melhor filho, ele era meu mundo" Leia mais Bramley Family/AP

Caixa-preta indica que um dos pilotos deixou a cabine, diz investigador

Segundo investigador, dados recuperados indicam que um dos pilotos deixou a cabine antes de o avião começar a perder altitude.

As primeiras investigações mostram que o avião da Germanwings que caiu na terça-feira (24) no sul da França não explodiu antes da queda. A enviada especial Mariana Becker acompanhou os desdobramentos da tragédia que matou 150 pessoas.
O presidente da França, François Hollande, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, visitaram nesta quarta-feira (25) a base montada na região dos Alpes franceses.
Um dia depois do acidente, as autoridades tentam entender por que o Airbus perdeu tanta altitude em tão pouco tempo. Pontos brancos na encosta da montanha vão ajudar a contar esta tragédia que comoveu a Europa.
A equipe que investiga o acidente afirmou que o conteúdo da caixa-preta de voz, a que registra a conversa nas cabines, é utilizável. O gravador encontrado nesta terça-feira (24) está danificado, mas os técnicos conseguiram recuperar alguns dados, como sons e vozes.
A análise dessas informações pode levar dias, semanas e até meses. Bombeiros e policiais procuram agora o chip da segunda caixa-preta, a que registra os dados do voo. O que foi encontrado nesta quarta-feira é a apenas a carcaça do equipamento.
Embora os investigadores tenham avisado que é muito cedo para conclusões, já é possível sugerir que o avião se chocou contra o solo em alta velocidade. E que não explodiu no ar, como algumas testemunhas chegaram a relatar.
Aparentemente, o acidente também não está ligado à despressurização da cabine. O voo 4U-9525 saiu nesta terça-feira de manhã, de Barcelona, na Espanha, com destino a Düsseldorf, na Alemanha. E sumiu dos radares nos arredores da cidade rural de Barcelonnette.
Já se sabe que o avião desceu de 11.600 metros para 3.300 metros em cerca de dez minutos. O acesso à região é difícil e o tamanho dos destroços complica ainda mais o trabalho das equipes.
Segundo o chefe da segurança civil, os fragmentos encontrados são todos menores do que a metade de um carro.
As buscas duraram dez horas nesta quarta-feira e vão ser retomadas nesta quinta-feira (26) a partir das 9h, horário em que se dissipa o nevoeiro nesta região. As equipes de resgate começaram na tarde desta quarta-feira a recolher os mortos. A Interpol, a polícia internacional, enviou quatro especialistas para ajudar no reconhecimento dos corpos.
Testemunhas da tragédia, os moradores do vilarejo de Le Vernet estão preparados para hospedar parentes dos mortos, o maior número de vítimas era de alemães e espanhóis.
Segundo o site do jornal The New York Times, um dos investigadores afirmou que os dados recuperados da caixa-preta, que registra as conversas dos pilotos, indicam que um deles deixou a cabine antes de o avião começar a perder altitude. E que, em seguida, é possível ouvir batidas na porta da cabine, que começam suaves e vão se tornando mais intensas. Segundo esse investigador, a gravação mostra que não houve resposta para essas batidas na porta

Caixa-preta de avião que caiu nos alpes franceses está danificada

Mas dados podem ser recuperados, diz ministro do Interior da França.
Equipamento foi enviado ao BEA, em Paris.

Do G1, em São Paulo
Caixa-preta (Foto: AP)Imagem da caixa-preta do avião da Germanwings foi divulgada pelas autoridades francesas (Foto: AP)
O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, reconheceu nesta quarta-feira (25) que a caixa-preta do avião da companhia aérea Germanwings que caiu na terça (24) nos Alpes franceses está danificada, mas que será possível analisá-la.
A caixa-preta do aparelho que grava vozes e sons (a outra caixa registra parâmetros técnicos) chegou nesta manhã em Paris, onde está sendo vistoriada pelo Escritório de Investigação e Análise (BEA) para a segurança da aviação civil.
O BEA divulgou imagens do equipamento, nas quais é possível ver os danos.
Em entrevista à emissora "RTL", o ministro indicou que vai ser possível reconstituir os dados dessa caixa, a que grava as conversas dos pilotos, para tentar esclarecer o incidente.
O secretário de Estado de Transportes francês, Alain Vidalies, explicou em entrevista à emissora "Europe 1" que a caixa será provavelmente avaliada em duas fases.
"Se há vozes humanas, será feito muito rapidamente. Depois se trata de analisar os ruídos, isso pode requerer várias semanas", detalhou Vidalies.
Embora não haja conversas na última meia hora, será possível estudar os sons registrados na cabine, mas esse é um processo 'muito mais preciso e mais longo' que pode levar 'semanas ou meses'.
O avião, com destino a Düsseldorf (Alemanha), caiu por motivos desconhecidos em uma zona alpina, quase uma hora depois da decolagem de Barcelona.
O Ministério Público de Marselha acredita que nesta tarde serão conhecidos os primeiros resultados da análise da caixa-preta.
Em declarações a um grupo de jornalistas, o promotor encarregado do caso, Brice Robin, explicou que "talvez tenhamos um primeiro resultado da análise da caixa-preta no final desta tarde, mas os exames complementares demorarão vários dias".
Apesar dos danos, as autoridades esperam conseguir recuperar os dados da caixa-preta (Foto: BEA)Apesar dos danos, as autoridades esperam conseguir recuperar os dados da caixa-preta (Foto: BEA)
Buscas
Os trabalhos de busca dos corpos e dos destroços da fuselagem do avião, na qual participam mais de 600 bombeiros e militares, foram retomados na primeira hora desta manhã.
A prioridade nesta quarta será recuperar a segunda caixa-preta. A primeira já foi encontrada e encaminhada para Paris, onde já foi iniciada análise. O equipamento está danificado, mas as autoridades esperam conseguir recuperar informações relevantes para a solução do acidente.
O início dos sobrevoos dos helicópteros encarregados de transportar os investigadores ao local exato da queda, de acesso impossível por estrada, começou pouco depois, às 8h (4h de Brasília).
As equipes de buscas quase não têm esperanças de encontrar alguma vida entre os 150 ocupantes do avião, seis deles integrantes da tripulação.
Os destroços estão localizados em uma região de 2 mil metros de altitude, e segundo o general francês David Galtier, "os pedaços de corpos humanos localizados não são maiores que uma pequena maleta".
Vítimas
Segundo o premiê francês, Manuel Valls, os passageiros a bordo do avião eram pelo menos 10 nacionalidades diferentes. A maior parte era da Alemanha e da Espanha. Também foi confirmada a presença de cidadãos de Argentina, Austrália, Bélgica, Colômbia, Dinamarca, Grã-Bretanha, Israel, Japão, Marrocos, México e Holanda.
O CEO da Germanwings, Thomas Winkelmann, divulgou nesta quarta uma lista atualizada das nacionalidades das pessoas a bordo do avião. Segundo ele, a aeronave levava 72 alemães, 35 espanhóis, dois australianos, dois argentinos, dois iranianos, dois venezuelanos, dois norte-americanos, um britânico, um holandês, um colombiano, um mexicano, um um dinamarquês, um japonês, um belga e um israelenses.
A nacionalidade de algumas vítimas ainda é incerta, especialmente devido a casos de dupla nacionalidade.
Também há conflito com informações passadas por governos locais. O Reino Unido informou que três britânicos no voo. Já o governo espanhol disse que havia 49 vítimas espanholas na aeronave, e não 35.

Arte completa - mapa da queda, raio-x do avião Airbus A320 e altitude (620px) (Foto: Arte/G1)Arte completa - mapa da queda, raio-x do avião Airbus A320 e altitude (620px) (Foto: Arte/G1)